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Identidade cultural: 5 erros de quem investe em food service seguindo tendências do exterior

A definição de um modelo de negócios é algo que deve ser feito com muito cuidado, atenção e pesquisa. Além dos investimentos em tempo, energia e financeiros, uma marca que ganhe uma má reputação no mercado terá sérias dificuldades de recompor a sua imagem perante a clientela.

Por isso, na hora de criar ou redesenhar a sua empresa, é preciso estar muito atento a cada detalhe, especialmente se estivermos falando em adaptar algum modelo estrangeiro de negócio para o nosso padrão brasileiro de identidade cultural.

Temos marcas de personalidades muito fortes que precisam ser entendidas e respeitadas para que o negócio possa funcionar bem. Para ajudar um pouco mais quem trabalha na área da alimentação, separamos alguns erros que podem e devem ser evitados. Confira!

1. Não respeitar o paladar brasileiro

De uma maneira geral, o povo brasileiro tem uma tendência a admirar algumas culturas estrangeiras e está relativamente aberto a novas tendências. Mesmo assim, é muito importante saber avaliar com cuidado até onde vai essa abertura.

Se a gente for pensar em restaurantes orientais, fica mais fácil perceber como o paladar nacional precisa ser fortemente considerado. Pratos da culinária japonesa que são mais similares com a nossa comida tradicional têm boa aceitação. Assim, frituras e alimentos gordurosos facilmente vão para os nossos pratos.

Por outro lado, comidas com mais personalidade, como o peixe cru japonês, podem sofrer um pouco mais de resistência. Por isso vemos hoje restaurantes japoneses com cardápios bem brasileiros, oferecendo refeições com muitas frutas e até geleias.

Não é à toa que especialidades que têm muita personalidade acabem não fazendo tanto sucesso. Basta pensar, por exemplo, que as comidas mais condimentadas, como a indiana ou mesmo a mexicana, até são apreciadas por aqui, mas precisam ser preparadas com menos pimenta.

2. Não fazer uma boa pesquisa de fornecedores

Algumas grandes marcas de empresas alimentícias mundiais se preocupam muito com os ingredientes que são utilizados em seus restaurantes, ao ponto de fazerem diretamente o fornecimento da matéria-prima.

Essa prática tem como objetivo garantir uma qualidade altíssima de padronização de tudo que é servido.

Ao buscar se inspirar em alguma fonte internacional, confira também se os fornecedores de que você dispõe conseguem entregar o que é necessário para que o paladar esteja correto, mas lembre-se sempre de considerar que, no geral, a nossa alimentação preferida tende a ser um pouco mais gordurosa e adocicada. Na dúvida, releia o item anterior.

3. Não prestar atenção à sua mobília

Cada tipo de estabelecimento tem uma proposta de negócios própria. Assim, locais mais nobres costumam exibir peças mais requintadas, ao passo que ambientes mais descontraídos preferem opções um pouco mais lúdicas.

A questão é que algumas propostas de modelo de negócio inspiradas em empresas e restaurantes estrangeiros talvez não estejam adequadas à nossa cultura.

Para ficar mais claro, vamos pensar em dois exemplos clássicos. O primeiro deles é a questão de que, no Brasil, os casais têm a tendência de se acomodar um ao lado do outro, pois, assim, é possível interagir mais. Muito diferente de certas culturas estrangeiras, em que os casais se acomodam sentados um de frente para o outro.

O segundo exemplo é a nossa maior propensão à socialização. Em poucos lugares do mundo é tão comum encontrarmos tantas mesas juntas em um restaurante. Seja em um aniversário, aquele amigo oculto de final de ano, um encontro de família, comemorações da empresa, um happy hour na quinta-feira ou só mesmo a hora do almoço, a temo o hábito de juntar várias mesas para deixar as pessoas todas juntas, de modo que todos possam conversar.

4. Não adaptar o modelo de atendimento

Este é um ponto que merece também muito da sua atenção. Não é à toa que somos famosos pelo mundo pelo jeito de ser dos brasileiros. Falando mais alto, abraçando, rindo, brincando e nos metendo a curiosos por quase tudo que vemos pela frente, é realmente difícil não sermos notados.

Com essa agitação natural e também com alguns movimentos mais vigorosos, é comum estarmos abertos a conversar e interagir mais com as pessoas, e isso, é claro, inclui também quem nos atende em bares, restaurantes e cafés.

Assim, modelos estrangeiros de atendimento, que estão focados em ir até a mesa e pegar todos os pedidos rapidamente, não costumam funcionar tão bem com a clientela de brasileiros. Por aqui, é comum que haja mais interações sociais e informalidade.

Além disso, não estamos acostumados a, de uma só vez, fazer o pedido de toda a refeição com entrada, prato principal, sobremesa e bebida. O mais comum é pedirmos uma coisa de cada vez e, por mais que possa não parecer, esse é o tipo de atendimento que faz com que o estabelecimento precise ter mais garçons à disposição.

5. Não pensar na forma de o cliente se servir

Não dá para pensar só no que o brasileiro come, como deve ser atendido, como fazer a disposição da mobília e como atender a esse peculiar cliente — é necessário também considerar como a gente se alimenta.

Alguns de nossos hábitos são bastante conflitantes com culturas de outros países. Para ficar mais claro, vamos ver quatro exemplos rápidos e que conseguem exemplifica o tanto que se deve ponderar a nossa identidade cultural.

A comida oriental é normalmente servida com hashi, aqueles palitos, mas nem todo mundo consegue utilizá-los. Por isso, há casas que oferecem os talheres tradicionais e até adaptações com elástico, para ficar mais fácil de usar o hashi. Mesmo assim, quem sabe usar adota no Brasil um modelo quadrado, que é mais fácil de ser manuseado, e não o circular, mais tradicional.

Ainda falando de culturas mais distantes, é muito raro ver clientes sentados no chão, como, por exemplo, é comum na culinária indiana.

Aproveitando o gancho da Índia, também não estamos acostumados a nos servir com as mãos, nem mesmo para comer pizza, quando estamos em um restaurante. Isso embora a pizza seja um prato que quase todo o mundo come com as mãos quando está em casa.

A cerveja, item de apelo nacional que, em geral, é consumida “estupidamente” gelada, diferente de outras culturas, que costumam servi-la a uma temperatura ambiente ou levemente resfriada.

Como podemos constatar, os hábitos do consumidor brasileiro precisam ser muito bem avaliados na hora de se trabalhar com modelos comerciais da gastronomia internacional. A nossa identidade cultural é muito forte e exige atenção.

Sabendo agora onde você não pode errar, compartilhe este conteúdo em suas redes sociais e ajude outros amigos e colegas a entenderem melhor quais os cuidados que devem ter ao trabalharem também os seus restaurantes para atender o público brasileiro. Eles também vão gostar!

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